Outro dia Yone chegou com uma rosa presa ao vestido e Santíssima com um xale. Cada dia, nos ambientes de trabalho, o sexo feminino reluz diferente e muitas vezes um pequeno objeto marca a presença e ilumina as damas. As borboletas de Yone e seus girassóis já atravessaram todos os jardins, pousaram em todas as flores e giraram em volta do sol central do universo. Será o toque da arte ou haverá algo a mais?
Somente a mulher pode ser de outra forma todos os dias. Nenhum outro ser tem este dom divino. Aliás o segundo dom maravilhoso da mulher. Certamente o primeiro de ser mãe. O segundo de ser mãe de si mesma. Portanto, com um simples toque, uma mudança no cabelo, um brinco chamativo, um adesivo na blusa, um batom de outro tom (que rima!), gera outra mulher, outro ser feminino, não aquele de ontem, nem aquele de antes de ontem e muito menos aquele de amanhã.
Amanhã ninguém saberá como ela renascerá. O amanhã da mulher abre o sol de seu guarda roupa. Todos os outros elementos da natureza são possíveis de serem prognosticados. Podemos saber com certeza quase absoluta que algumas pequenas flores de uma árvore se transformarão em frutos. Alguns frutos serão alimentos de certos pássaros, outros cairão no chão e poderão futuramente ser outras árvores e repetir o ciclo da natureza.
Mas a mulher é imprevisivel no aspecto de sua mudança. Ela com certeza poderá ser outra daqui a pouco. Ninguém poderá tirar delas esta graça. Poderemos até mesmo dizer esta benção divina. Um simples toque no cabelo: olhem como ela ficou diferente! Dirão mil vozes em uníssono. As unhas que receberam outro esmalte, já não são as mesmas unhas de segundos atrás.
Um colar, não me refiro ao de pérolas, mas dos mais simples possiveis, dependendo do gosto de cada mulher, já muda por completo o seu visual.
Uma pulseira, que seja vinda da feira hippie de Belo Horizonte ou da lojinha da esquina, mas deu um "quê", com uma mudança total.
Às vezes um anel e sendo que há várias formas de anéis, haverá várias mulheres em um única mulher. Infelizes aqueles que calculam o número de mulheres que existe para o número de homens. São cegos. São calculistas fracassados. Estatísticos de fraldas. São instrumentalistas. Pobres fariseus. Prefiro chamá-los de fracos darwinistas e frágeis spenciaristas. Não conhecem o mundo imaginativo das mulheres. Não sabem que elas são em números milhares de vezes maiores que os dos homens. Não percebem que elas são muitas mulheres numa só mulher.
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